domingo, 20 de novembro de 2011

Memórias de infância II- A horta

        De vez em quando sinto uma enorme saudade da horta. Sim da horta que minha avó (nonna) tem e que cuida com carinho na casa onde nasci.Os temperos ao lado, o canteiro da salsa, o da cenoura, feijão de vagem, alface, repolho, flores, todo o necessário.  Sim as flores também são necessárias em uma horta. Quantas vezes à noite esquecia-se um tempero, e no escuro, corria-se até a horta pata buscar, e sabia-se de memória onde estava. 
        A horta é um ser que vive. Deve-se prepará-la, cuidá-la, colher, e recomeçar. 
       Os homens, em minha casa, são responsáveis pelas tarefas mais pesadas, renovar a terra, revolvê-la e eventualmente preparar os canteiros. Depois, a horta é universo feminino. Elas plantam as sementes, replantam as mudas nos devidos canteiros, regam quando o clima é seco, cobrem os vegetais quando é frio e a geada se anuncia para o dia seguinte. É preciso esmero, carinho, dedicação. Depois colher e recomeçar. Minha nonna é quem mais se ocupa da horta. Seu amor é retribuído na colheita. Pois bem sabe ela, no alto de seus oitenta e poucos anos, que a gente se alimenta também de amor.
       Do lugar de onde venho, todas as famílias possuem uma horta, embora todas se pareçam, o bom observador verá que cada uma é um universo particular e são um reflexo de quem as cuidas. Gostava de caminhar pela minha comunidade e observar os jardins e as hortas, as hortas geralmente cercadas por alguma grade, para que os animais não entrassem, são uma espécie de espaço sagrado. Onde o homem (ou na maioria dos casos, a mulher) e a terra se fazem íntimos.
        Em minha casa, ainda hoje,  na entrada da horta estão os temperos. Orégano, hortelã, manjerona, salsinha, cebolinha, sálvia, alecrim, tomilho... Depois as verduras e legumes. Cenoura, beterraba, tomates e feijões de vagem (na estação correta), e um variado tipo de folhas comestíveis. Na estrada ao lado do portão, crescem displicentemente morangos, que pouco produzem, mas este pouco que parece frutificar tão desinteressadamente e pela paixão de frutificar. E o sabor, ah, o sabor.....
        Em alguns lugares da horta, há flores. Dependendo da época, se encontram crisântemos, "cristas de galos",e outras variando todo ano, mas sempre há rosas. Há um jardim justo em frente, e estas flores, só podem ser vistas por quem adentra a horta. Nunca peguntei o porquê de plantar flores ali, e hoje quando penso me dou conta que não preciso de uma resposta, basta sorriso da lembrança.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Memórias da Infância - O fogão de lenha.

        Nasci e cresci no interior. Na cozinha de fogão de lenha, é o lugar onde todos ficavam, ao redor da mesa e longe do fogão se fosse verão, ou em volta do fogão, se fosse inverno. E o inverno é frio. 
         Lembro de meu pai assando pinhão ou amendoim diretamente na chapa. Quando era criança, lembro do meu avô, "brustolando" polenta na chapa do fogão, e o sabor era outro. "Brustolare la polenta", quer dizer que se corta fatias de polenta, já cozida e fria, e assa-se diretamente sobre uma chapa. Anos depois, em minha casa, compraram uma frigideira especial para preparar a polenta, mas o sabor já não era o mesmo. Lembro também do meu nonno preparando a polenta num pequeno caldeirão que se chamava, não sei o motivo de calheiro. Ele começa os preparativos quando estava escurecendo. Acender o fogo, colocar o calheiro com água no fogão. Depois, quando a água estivesse fervendo adicionar a farinha e sal, e mexer, e este procedimento levava tempo. Tempo em que nonno  contava histórias ou me ensinava canções em "talian", que é o nome que o pessoal da serra gaúcha dá ao dialeto italiano que se fala por lá.
       É claro que a tarefa de providenciar lenha é a tarefa que exigia mais força bruta, isto estava a cargo de meu pai e anos mais tarde, passei a ajudar. Recolher os gravetos,  partir os tocos maiores e transformá-los em pedaços menores. Gravetos de plátano, e espinho de araucária, para começar o fogo, logo, pedaços de lenha mais robustos para aquecer e "fazer brasa" como diz a nonna.
       Em ocasiões especiais, em geral algum domingo ou feriado santo, uma das delícias era a galinha garnizé ou de angola recheada, que a nonna, como ninguém,  prepara no forninho do fogão de lenha. A ave ficava marinando de um dia para o outro numa mistura que cheirava pela cozinha, e no dia seguinte, o interior da ave era completamente tomado por "pien", que traduzindo do dialeto vêneto, quer dizer literalmente recheio. Uma mistura de pão torrado e ralado, queijo parmesão, carne moída e muitos temperos. Colocave-se a galinha no forninho lá pelas nove e meia e era preciso aguardar até a hora do almoço. Era uma festa, todos comiam alegremente até o último pedaço.
       Há coisas que nos acompanham pela vida, cheiros, sabores, lembranças. Ah, o fogão de lenha...
                                                                                                                                              G.T.






quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Churros españoles!


Você vai precisar dos seguintes ingredientes (para 4 pessoas):

250gr de farinha de trigo
25 ml de azeite de oliva
10 gr de sal
500 ml de água

Mode de fazer:

Ponha a água para ferver com o sal e o azeite. Quando começar a ferver adicione a farinha e mexa energicamente com uma espátula. Em seguida, retire do fogo e siga mexendo até a mistura se tornar homogênea.
Em um frigideira, coloque óleo de girassol e deixe aquecer até 180º, 190º graus. Com um saco de confeitar, também chamado de saco de pasteleiro,com uma boquilha grande, e estrelada, de modo a deixar a tradicional forma nos churros, molde-os e coloque-os sobre uma superfície antiaderente, corte em pedaços de mais ou menos 15 cm.Depois frite-os no azeite até dourarem. Escorra em papel antiaderente. E pronto. Prepare uma calda quente de chocolate, ou ainda basta polvilhar um pouco de açúcar, e bom apetite!!!

Aqui, o vídeo em espanhol ensinando todos os passos da receita.


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A cozinha. Por Rubem Alves.


Qual é o lugar mais importante da sua casa? Eu acho que essa é uma boa pergunta para início de uma sessão de psicanálise. Porque quando a gente revela qual é o lugar mais importante da casa, a gente revela também o lugar preferido da alma. Nas Minas Gerais onde nasci o lugar mais importante era a cozinha. Não era o mais chique e nem o mais arrumado. Lugar chique e arrumado era a sala de visitas, com bibelôs, retratos ovais nas paredes, espelhos e tapetes no chão. Na sala de visitas as crianças se comportavam bem, era só sorrisos e todos usavam máscaras. Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria.
"Seria tão bom, como já foi...", diz a Adélia. A alma mineira vive de saudade. Tenho saudade do que já foi, as velhas cozinhas de Minas, com seus fogões de lenha, cascas de laranja secas, penduradas, para acender o fogo, bule de café sobre a chapa, lenha crepitando no fogo, o cheiro bom da fumaça, rostos vermelhos. Minha alma tem saudades dessas cozinhas antigas...
Fogo de fogão de lenha é diferente de todos os demais fogos. Veja o fogo de uma vela acesa sobre uma mesa. É fogo fácil. Basta encostar um fósforo aceso no pavio da vela para que ela se acenda. Não é preciso nem arte nem ciência. Até uma criança sabe. Só precisa um cuidado: deixar fechadas as janelas para que um vento súbito não apague a chama. O fogo do fogão é outra coisa. Bachelard notou a diferença: "A vela queima só. Não precisa de auxílio. 
         A chama solitária tem uma personalidade onírica diferente da do fogo na lareira. O homem, diante de um fogo prolixo pode ajudar a lenha a queimar, coloca uma acha suplementar no tempo devido. O homem que sabe se aquecer mantém uma atitude de Prometeu. Daí seu orgulho de atiçador perfeito..." Fogo de lareira é igual ao fogo do fogão de lenha. Antigamente não havia lareiras em nossas casas. O que havia era o fogo do fogão de lenha que era, a um tempo, fogo de lareira e fogo de cozinhar.
         As pessoas da cidade, que só conhecem a chama dos fogões a gás, ignoram a arte que está por detrás de um fogão de lenha aceso. Se os paus grossos, os paus finos e os gravetos não forem colocados de forma certa, o fogo não pega. Isso exige ciência. E depois de aceso o fogo é preciso estar atento. É preciso colocar a acha suplementar, do tamanho certo, no lugar certo. Quem acende o fogo do fogão de lenha tem de ser também um atiçador.
         O fogão de lenha nos faz voltar "às residências de outrora, as residências abandonadas mas que são, em nossos devaneios, fielmente habitadas" (Bachelard). Exupèry, no tempo em que os pilotos só podiam se orientar pelos fogos dos céus e os fogos da terra, conta de sua emoção solitária no céu escuro, ao vislumbrar, no meio da escuridão da terra, pequenas luzes: em algum lugar o fogo estava aceso e pessoas se aqueciam ao seu redor.
         Já se disse que o homem surgiu quando a primeira canção foi cantada. Mas eu imagino que a primeira canção foi cantada ao redor do fogo, todos juntos se aquecendo do frio e se protegendo contra as feras. Antes da canção, o fogo. Um fogo aceso é um sacramento de comunhão solitária. Solitária porque a chama que crepita no fogão desperta sonhos que são só nossos. Mas os sonhos solitários se tornam comunhão quando se aquece e come.
         Nas casas de Minas a cozinha ficava no fim da casa. Ficava no fim não por ser menos importante mas para ser protegida da presença de intrusos. Cozinha era intimidade. E também para ficar mais próxima do outro lugar de sonhos, a horta-jardim. Pois os jardins ficavam atrás. Lá estavam os manacás, o jasmim do imperador, as jabuticabeiras, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para colher xuxús, quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha, tomatinhos vermelhos, hortelã e, nas noites frias, folhas de laranjeira para fazer chá.
        Ah! Como a arquitetura seria diferente se os arquitetos conhecessem também os mistérios da alma! Se Niemeyer tivesse feito terapia, Brasília seria outra. Brasília é arquitetura de arquitetos sem alma. Se eu fosse arquiteto minhas casas seriam planejadas em torno da cozinha. Das coisas boas que encontrei nos Estados Unidos nos tempos em que lá vivi estava o jeito de fazer as casas: a sala de estar, a sala de jantar, os livros, a escrivaninha, o aparelho de som, o jardim, todos integrados num enorme espaço integrado na cozinha. Todos podiam participar do ritual de cozinhar, enquanto ouviam música e conversavam. O ato de cozinhar, assim, era parte da convivência de família e amigos, e não apenas o ato de comer. Eu acho que nosso costume de fazer cozinhas isoladas do resto da casa é uma reminiscência dos tempos em que elas eram lugar de cozinheiras negras escravas, enquanto as sinhás e sinhazinhas se dedicavam, em lugares mais limpos, a atividades próprias de dondocas como o ponto de cruz, o frivolité, o crivo, a pintura e a música. Se alguém me dissesse, arquiteto, que o seu desejo era uma cozinha funcional e prática, eu imediatamente compreenderia que nossos sonhos não combinavam, delicadamente me despediria e lhes passaria o cartão de visitas de um arquiteto sem memórias de cozinhas de Minas.
          As cozinhas de fogão de lenha não resistiram ao fascínio do progresso. As donas de casa, em Minas, por medo de serem consideradas pobres, dotaram suas casas de modernas cozinhas funcionais, onde o limpíssimo e apagado fogão à gás tomou o lugar do velho fogão de lenha. As cozinhas, agora, são extensões da sala de visitas. Mas isto é só para enganar. A alma delas continua a morar nas cozinhas velhas, agora transferidas para o quintal, onde a vida é como sempre foi. Lá é tão bom, porque é como já foi.
          Eu gostaria de ser muitas coisas que não tive tempo e competência para ser. A vida é curta e as artes são muitas. Gostaria de ser pianista, jardineiro, artista de ferro e vidro - talvez monge. E gostaria de ter sido um cozinheiro. Babette. Tita. Meu pai adorava cozinhar. Eu me lembro dele preparando os peixes, cuidadosamente puxando a linha que percorre o corpo dos papa-terras, curimbas, para que não ficassem com gosto de terra. E me lembro do seu rosto iluminado ao trazer para a mesa o peixe assado no forno.
          Faz tempo, num espaço meu, eu gostava de reunir casais amigos uma vez por mês para cozinhar. Não os convidava para jantar. Convidava para cozinhar. A festa começava cedo, lá pelas seis da tarde. E todos se punham a trabalhar, descascando cebola, cortando tomates, preparando as carnes. Dizia Guimarães Rosa: "a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." Comer é a chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos, rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.
         Sinto-me feliz cozinhando. Não sou cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá, sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago, confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)... (Correio Popular, Caderno C, 19/03/2000.)



Vatel- Um banquete para o rei


Para salvar  sua província das dívidas, o príncipe Condé, resolve convidar o rei Luis XIV para um banquete, cujo o encarregado será François Vatel, o mordomo do príncipe, personagem vivido por Gerard Depardieu. O filme é dirigido por Roland Joffé e tem ainda participação dos atores Tim Roth e Uma Thurman.


François Vatel foi um célebre cozinheiro em seu tempo e lhe é atribuída a invenção do creme Chantilly. Acabou por suicidar-se, por razões que até hoje não são claras. Sua morte foi tida como uma tragédia nacional.


Abaixo o trailer do filme:


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Frango!

Uma das carnes mais populares, seja pelo sabor, ou por ser um prato econômico, ou ainda, por ser considerado mais saudável que a carne vermelha. Existem inúmeras maneiras de preparar pratos a base de frango. Pessoalmente gosto muito quando a carne é marinada, ou seja, a carne fica exposta a uma mistura temperos por várias horas, às vezes em forma líquida e em geral de um dia para o outro. Existem muitas receitas e formas de como marinar, eu possuo algumas que utilizo conforme os ingredientes que tenho à mão, ou conforme o acompanhamento.
Ontem experimentei uma variante de uma forma tradicional que se utiliza na minha família e ficou uma delícia.

Os ingredientes são os seguintes:

Duas coxas (com a sobrecoxa ) de frango com pele.

Ingredientes para a marinada:

  • Azeite extra virgem - 100 ml
  • Vinagre balsâmico - 1 colher de sopa
  • Shoyu -1 colher de sopa (utilizo um shoyu de origem chinesa, que não é tão salgado e mais espesso que o shoyu comum à venda nos supermercados do Brasil)
  • Sálvia, alecrim e tomilho desidratados-aproximadamente uma colher de sopa de cada, ou à gosto.
  • Curry do tipo madras - uma colher de chá
  • Noz moscada - uma colher de chá
  • Sal - uma colher de sopa, ou ao seu gosto
  • Pimenta negra - uma colher de chá, ou ao seu gosto.
As medidas dos temperos são aproximadas, você pode variar conforme preferir, mas deve manter certo equilíbrio...



Modo de preparo.

Em um recipiente coloque o frango e todos os ingredientes da marinada. Mexa bem, para que estejam misturados, tampe e leve à geladeira por aproximadamente 12 horas ou mais. Recomendo preparar a marinada sempre no dia anterior.




Cozimento:

Este procedimento é bastante simples, mas requer atenção quanto ao ponto exato da cocção. Em uma frigideira de bordas altas, ponha a carne que você deixou marinando no dia anterior. Utilize  o mesmo azeite e os temperos da marinada para fritar a carne. Deixe em fogo médio por alguns minutos até dourar, vire a carne, com a ajuda de uma espátula até dourar dos dois lados. Não pode ser em fogo muito alto, pois a carne queimará do lado de fora e o interior continuará crú, tampouco em fogo muito baixo, pois a pele do frango não ficará crocante.




Para acompanhar, recomendo arroz branco ou purê de batatas.

Bom apetite!!!


domingo, 30 de outubro de 2011

Dica de cinema.

Este é um dos mais belos filmes que já vi: "Como agua para el chocolate". Baseado no best-seller homônimo de Laura Esquível, mostra uma visão feminina do México Rural do início do século XX. Um filme extremamente belo e sensual. Onde a sensualidade e a arte de cozinhar estão ligadas... Abaixo o trailer.






sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Galinhada, mas nem tanto...


Fácil de preparar, esta receita costuma agradar.

 

Ingredientes, para o preparo de duas porções.

 

  • 2 coxas/sobrecoxas de frango- Partes com gordura da galinha, preferência para coxas e sobre-coxas;
  • Arroz (redondo) medida para quatro pessoas
  • Mais ou menos 150 ml. Espumante meio seco, ou um vinho levemente doce, malvasia ou chardonay. Preferência pelo espumante;
  • Uma cebola
  • Estragão, alecrim, tomilho (em média duas colheres de chá de cada) se não tiver tomilho, substitua por orégano, mas use em menor quantidade).
  • Cogumelos tipo champignon, frescos e laminados;
  • Azeite de oliva ( para fritar a galinha )
  • Salsa, cebolinha
  • Manteiga
  • Uma pitada de canela em pó
  • Sal e pimenta

 

Modo de fazer.

 
   Em uma panela (fundo triplo, que tenha um fundo espesso para melhor conservar o calor, pode ser aço ou ferro) fritar em fogo brando a galinha, com um fio de azeite, até dourar e a carne começar a soltar do osso. Temperar a galinha enquanto estiver fritando com sal e pimenta. Quando a carne já estiver quase no ponto, adicionar a cebola picada. Fritar até dourar a cebola e em seguida acrescentar o arroz; fritar o arroz por um instante nessa gordura e em seguida acrescentar um pouquinho do espumante. Baixar e fogo, e esperar alguns instantes para que o gosto da gordura da galinha e do espumante sejam absorvidos pelo arroz.
    Em seguida acrescentar os temperos, menos cebolinha e salsa, água e deixar cozinhar até quase o ponto final. Acrescentar os cogumelos laminados, o restante do espumante, um pouco de manteiga (uma ou duas colheres de sopa) e a pitada de canela. Antes de servir, adicionar a salsa, que deve ser impreterivelmente fresca e a cebolinha. Para cebolinha, recomenda-se usar as folhas da cebolinha com bulbo, dispensando a extremidade da folha, e sem o talo, a base. Misture bem e sirva. Acompanha queijo grana padano ralado, vinho branco ou espumante usado na receita.

 

Bom apetite!!!

Cozinha Imaginativa. Alta Gastronomia contemporânea. Parmesão.

Posto aqui um vídeo da Famosa Madrid Fusión, o famoso congresso internacional de gastronomia.

Tendências da alta gastronomia. Aqui, novas idéias a partir do conhecido Parmesão...

http://www.youtube.com/watch?v=Sa8Ttem2ihI

Bom apetite, ou seria bons sonhos?

terça-feira, 19 de abril de 2011

Frase da semana

“No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão a aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. No vinho espelha-se a vida."
Roland Betsch

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Pão com manteiga e algo mais.

Uma das mais maiores iguarias que existem, para mim, é um simples pão francês quente, recém saído do forno com manteiga. Aliás, a manteiga da um toque especial em muitas receitas, às vezes em alguns molhos de tomate uso uma pequena quantidade de manteiga para quebrar a acidez e "arredendar" o sabor.
Certa feita, na casa de um amigo, provei um pão com manteiga diferente. A manteiga estava temperada. Pequenas folhinas ainda verdes contrastavam com o amarelo da manteiga e exalavam um perfume tentador... Foi a primeira vez que eu provei um dos temperos que mais uso. O tomilho.

Pois bem, a receita de hoje se trata daquela manteiga temperada. É muito simples e gostosa.

Você vai precisar de:


  • Um tablete de manteiga com sal.
  • Tomilho fresco (em geral se encontra nas feiras livres), para esta receita recomendo uns quatro ou cinco ramos do tempero. 


Modo de preparo:
Deixe a manteiga em temperatura ambiente por algumas poucas horas até amolecer, depois tire as folhas dos ramos de tomilho, já previamente lavado. Misture bem, de modo que as folhas se distribuam pela manteiga homogeneamente. Dica: espere uns dois dias antes de consumir. Assim você terá um resultado mais satisfatório com relação ao aroma e sabor da mistura, pois haverá mais tempo para a mateiga absorver o tempero.
Saboreie com torradas ou claro, pão quentinho...

Bom apetite!!!

domingo, 10 de abril de 2011

A festa de Babette, por Rubem Alves


Um dos meus prazeres é passear pela feira. Vou para comprar. Olhos compradores são olhos caçadores: vão em busca de caça, coisas específicas para o almoço e a janta. Procuram. O que deve ser comprado está na listinha. Olhos caçadores não param sobre o que não está escrito nela. Mas não vou só para comprar. Alterno o olhar caçador com o olhar vagabundo. O olhar vagabundo não procura nada. Ele vai passeando sobre as coisas. O olhar vagabundo tem prazer nas coisas que não vão ser compradas e não vão ser comidas. O olhar caçador está a serviço da boca. Olham para a boca comer. Mas o olhar vagabundo, é ele que come. A gente fala: comer com os olhos. é verdade. Os olhos vagabundos são aqueles que comem o que vêem. E sentem prazer. A Adélia diz que Deus a castiga de vez em quando, tirando-lhe a poesia. Ela explica dizendo que fica sem poesia quando seus olhos, olhando para uma pedra, vêem uma pedra. Na feira é possível ir com olhos poéticos e com olhos não poéticos. Os olhos não poéticos vêem as coisas que serão comidas. Olham para as cebolas e pensam em molhos. Os olhos poéticos olham para as cebolas e pensam em outras coisas. Como o caso daquela paciente minha que, numa tarde igual a todas as outras, ao cortar uma cebola viu na cebola cortada coisas que nunca tinha visto. A cebola cortada lhe apareceu, repentinamente, como o vitral redondo de catedral. Pediu o meu auxílio. Pensou que estava ficando louca. Eu a tranqüilizei dizendo que o que ela pensava ser loucura nada mais era que um surto de poesia. Para confirmar o meu diagnóstico lembrei-lhe o poema de Pablo Neruda "A Cebola", em que ele fala dela como "rosa d'água com escamas de cristal". Depois de ler o poema do Neruda uma cebola nunca será a mesma coisa. Ando assim pela feira poetizando, vendo nas coisas que estão expostas nas bancas realidades assombrosas, incompreensíveis, maravilhosas. Pessoas há que, para terem experiências místicas, fazem longas peregrinações para lugares onde, segundo relatos de outros, algum anjo ou ser do outro mundo apareceu. Quando quero ter experiências místicas eu vou à feira. Cebolas, tomates, pimentões, uvas, caquis e bananas me assombram mais que anjos azuis e espíritos luminosos. Entidades encantadas. Seres de um outro mundo. Interrompem a mesmice do meu cotidiano.


Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).


Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.


Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.


Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.


Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...


O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Molho p'ra casar!

Salve, salve!

Primeiramente desculpas, pela longa ausência por aqui. Motivos de trabalho tem me impedido ultimamente, mas roubei um tempinho, e heis-me aqui.

Hoje vou passar uma receita simples, barata e que costuma fazer sucesso.

Molho pra casar


Você vai precisar de:

  • uma lata de tomate pelado
  • vinho tinto
  • 1 colher de sopa de manteiga
  • mangericão fresco (somente as folhas, previamente lavadas e secas)
  • sal a gosto
Despeje o conteúdo da lata de tomate numa panela em fogo brando. Triture grosseiramente os tomates e deixe cozinhando. Na própria lata vazia, despeje mais ou menos um terço de vinho tinto (Tem que ser de boa qualidade!). Aproveite para enxaguar a lata com o vinho e despeje a mistura na panela. Acrescente a manteiga e deixe cozinhar por uns 15 ou 20 minutos até o molho reduzir e a consistência atingir um ponto mais cremoso. Tire a panela do fogo. Acrescente mangericão (gosto de usar o "mangericão gigante", mas com mangericão comum também fica muito bom), triturando-o levemente para liberar o aroma e o sabor. Misture bem, aguarde uns dois ou três minutos e misture à massa de sua preferência. Eu recomendo a gravatinha ou farfalle no original.
Dicas:Não esqueça de um bom queijo Grana Padano, ralado ou em finas lascas. um fio de um bom azeite sobre tudo isso, dá um excelente toque!

Sobre o nome do molho,  resumidamente, é que depois de servir este prato recebi uma proposta de casamento...


Bom apetite!!!

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cheiros da infância

Schmier
Lembro-me dos dias quentes do verão da minha infância, quando o cheiro doce de schmier de figo ou de uva, impregnavam o ar e podia-se sentir o perfume desde longe. Lembro-me também, que graças ao cheiro característico, podia saber quando as outras mulheres da comunidade onde cresci, estavam fazendo schmier (Schmier é um nome alemão que se usa no RS para designar doces de frutas, seguindo  a receita trazida pelos imigrantes alemães ao estado)
O dia de fazer schmier é especial. Na minha casa começávamos cedo. Primeiro colher as frutas, depois processá-las. No caso dos figos, limpá-los, descascá-los em parte e em seguida moer. No caso da uva, desfazer o cacho e selecionar os grãos, cozinhar até desmanchar em parte e em seguida passar por uma peneira para separa sementes e eventuais impurezas. Depois acender o fogo, posicionar o tacho e começar a longa tarefa de cozinhar os ingredientes. Na minha casa, essa era tarefa da minha mãe e que eu, curioso, ficava observando.
Misturar o açúcar e mexer por horas até o ponto certo. Em determinado momento, ele aparecia. O cheiro sempre foi a minha parte predileta da schmier, sobretudo a de figo. Era o anúncio também de que breve o doce estaria pronto. Não antes da prova. Em um pratinho de porcelana, minha mãe colocava uma pequena quantidade para provar, ver se “está no ponto”. Depois de pronta, colocávamos a schmier em potes, que seriam consumidos ao longo do ano.
Ainda faltava uma etapa nesse processo. Raspar o tacho! Quando o tacho já não estava tão quente, as crianças ganhavam uma colher e podiam divertir-se.
Em breve postarei a receita.
Até breve!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dica de hoje: Bar do Jacaré, Indaiatuba, SP


Uma das idéias deste blog é dar dicas de bons lugares para comer. Sabe aquele barzinho ou restaurante que é uma delícia, que tem o melhor bolinho de bacalhau que você já comeu, ou aquela comida que é uma delícia e o preço é ótimo?
Pois a dica de hoje é o Bar do Jacaré, em Indaiatuba, interior de São Paulo. Quem é fã do lugar, é meu grande amigo Fernando, um grande entendedor de comida! E a recomendação é o Bacalhau. Segundo ele o BACALHAU AO FORNO do Jacare, com certeza, se não for o melhor, deve ser um dos melhores do país. E olha que o Fernando já provou muito Bacalhau!
Se você fizer uma rápida pesquisa na internet vai encontrar notas como esta a respeito do bar (como a nota do site vcvai.com) "Em Indaiatuba, o discreto Bar do Jacaré esconde tesouros atrás do balcão. Sob o comando de Clóvis Lopes, o Jacaré, petiscos e pratos com bacalhau, preparados com capricho, além das receitas de família, fazem as honras da casa que já ganhou fama na região. Já experimentaram suas iguarias a top model Gisele Bündchen e o rei Pelé."
Se passar por Indaiatuba você já sabe onde comer...
Se você conhece algum lugar  especial, indique pra gente. O e-mail é: saboridentidade@gmail.com

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tortéi

Baseado na receita original da nonna esta receita de tortéi é simples e muito gostosa.
Para 4 pessoas.

Para a massa use 5 ovos e 500 gr de farinha de trigo. Dependendo do tamanho dos ovos use um pouco menos ou um pouco mais de farinha até atingir o ponto. Misture os ovos e a farinha e amasse até que os ingredientes estejam completamente mesclados e a massa atinja uma boa consistência. Use um rolo para abrir a massa. Eu uso uma dessas máquinas de massa manuais com cilindros e o resultado é ótimo.

Recheio:

O ideal é fazer o recheio antes da massa. Você vai precisar de:

  • 1 moranga japonesa pequena
  • 150 gr de queijo parmesão ralado
  • 150 gr de farinha de rosca
  • 1 colher de sopa tomilho
  • 1colher de sopa alecrim
  • 1 colher de chá pimenta do reino
  • 1/2 colher de chá de noz moscada
  • 1/2 colher de chá de canela
  • flor de sal a gosto

Modo de fazer o recheio:

Descasque a abóbora, elimine as sementes e corte em pequenos pedaços. Ponha em uma panela com um pouco de água (Use uma panela estreita e alta, do tipo de cozinhar massa, adicione água até o mesmo nível da abóbora). Deixe a abóbora cozinhar até o ponto em que se torne um creme. Adicione e misture todos os outros ingredientes. Caso a consistência do creme ainda seja muito mole, adicione mais farinha de rosca e queijo. Sal a gosto.

Preparando os tortéis:

Abra a massa com um rolo ou máquina com a espessura mais fina possível. Corte em quadrados de tamanho médio. Ponha o recheio e feche prensando as bordas com um garfo.
Aqueça a água e quando estiver fervendo, adicione sal e os tortéis. Quando todos os tortéis vierem à tona, estão prontos para serem escorridos.

Aconselho molhos simples como burro e salvia ou pesto genovese. Acompanhe um bom vinho merlot nacional como o Salton Desejo, ou outro da sua preferência sobretudo se optar pelo pesto genovese.

Bom apetite!


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Pasta de tomate

Pasta de tomate.
Esta talvez seja a melhor receita da nonna. É uma pasta de tomate que ela usa para temperar praticamente tudo e é uma delícia. A receita é a seguinte:
Igredientes:
  • 2 Kg de tomates, de preferência aos que tenham muita polpa e pouca semente para aumentar o rendimento, como a variedade coração de boi;
  • 3 dentes de alho;
  • 2 cebolas médias;
  • Temperos verdes a gosto. A mistura que uso é esta: óregano, algumas poucas folhas de sálvia, algumas folhas de alecrim e um pouco de tomilho;
  • sal a gosto (segundo a nonna, um punhado por cada kilo de pasta já escorrida).
  • uma pitada de pimenta branca moída
Modo de fazer:
Primeiro você deve corte em os tomates em pequenos pedaços e cozinhá-los em fogo médio mexendo eventualmente até que se desmanchem e fiquem moles o suficiente para passá-los por uma peneira. Isso irá reter os pequenos pedaços de casacas dos tomates.
Em seguida é necessário escorrer a pasta de tomates. Para isso o melhor usar um saco de pano e deixar repousar. É necessário escorrer todo o líquido para que fique apenas a polpa do tomate cozida.Em seguida adicione os temperos e misture (você pode moer os temperos no liquidificador ou se preferis picá-los manualmente). Não esquecer o sal e a pimenta, misture tudo muito bem. A pasta pode ser acondicionada em vidros para conservas e dura por bastante tempo.
Bom apetite.

O segredo é a canela

Me lembro de uma manhã em que conversava com a nonna (minha avó) enquanto ela preparava o almoço, sobre qual era a diferença do tortéi que ela fazia em comparação com o tortéi que as outras mulheres da região faziam. Havia algo sutilmente diferente no recheio que me intrigava e não podia identificar. Além da textura ser ligeiramente diferente (o tortéi da nonna era um pouco mais seco e com um sabor mais pronunciado) havia algo no aroma e no gosto que me intrigava.

Para quem não conhece, tortéi (em dialeto vêneto), ou tortelli (em italiano), é basicamente uma massa recheada. A tradição manda que o recheio seja com abóbora, algo de tempero verde, queijo ralado, pão ralado e uma pitada de noz moscada. No caso da nonna ainda é acrescida uma generosa colher de "massa de tomate" ou "pasta de tomate", que ela própria prepara. Mais tarde postarei a receita.

Onde estava então o segredo? Me lembro que durante a conversa, a nonna esboçou um discreto sorriso, baixou o tom da voz e me disse: O segredo é a canela...Canela? Perguntei eu, um pouco surpreso. Calmamente ela me explicou. "Mistura a canela co'um pouquinho de noz moscada e cuida pra que tenha bastante queijo e pão ralado pra dar o ponto certo do recheio".

Surpreso, repetia em voz baixa: O segredo é a canela!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Arte com Cacau

Recentemente estive na Bélgica e decidi provar os famosos chocolates. Recomendado por alguns amigos, fui provar dois chocolates específicos. O primeiro, o famoso Godiva, que acredite ou não, não fez minha cabeça. Os chocolates deve-se reconhecer, são excelentes, reconhecidos em todo o mundo.
O segundo... Bem o segundo trata-se de Pierre Marcolini. Um mestre chocolateiro bastante reconhecido. Vencedor de vários prêmios, com algumas lojas pelo país e outras poucas espelhadas ao redor do mundo, é segundo se diz por lá, o melhor chocolate da Bélgica. Marcolini viaja ao redor do mundo em busca do melhor cacau e das melhores combinações. O resultado, como não podia deixar de ser, é fantástico. Recomendo sobre tudo a coleção Sabores do Mundo, com cacau selecionado de diversas partes do mundo, incluindo Brasil. Se tiver a oportunidade, não deixe de conferir.