"Na cozinha era diferente: a gente era a gente mesmo, fogo, fome e alegria" Rubem Alves.
domingo, 20 de novembro de 2011
Memórias de infância II- A horta
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Memórias da Infância - O fogão de lenha.
G.T.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Churros españoles!
250gr de farinha de trigo
25 ml de azeite de oliva
10 gr de sal
500 ml de água
Ponha a água para ferver com o sal e o azeite. Quando começar a ferver
adicione a farinha e mexa energicamente com uma espátula. Em seguida, retire
do fogo e siga mexendo até a mistura se tornar homogênea.
Em um frigideira, coloque óleo de girassol e deixe aquecer até 180º,
190º graus. Com um saco de confeitar, também chamado de saco de
pasteleiro,com uma boquilha grande, e estrelada, de modo a deixar a
tradicional forma nos churros, molde-os e coloque-os sobre uma superfície
antiaderente, corte em pedaços de mais ou menos 15 cm.Depois frite-os no
azeite até dourarem. Escorra em papel antiaderente. E pronto. Prepare uma
calda quente de chocolate, ou ainda basta polvilhar um pouco de açúcar, e bom apetite!!!
|
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A cozinha. Por Rubem Alves.
|
A chama solitária tem uma personalidade
onírica diferente da do fogo na lareira. O homem, diante de um fogo prolixo
pode ajudar a lenha a queimar, coloca uma acha suplementar no tempo devido. O
homem que sabe se aquecer mantém uma atitude de Prometeu. Daí seu orgulho de
atiçador perfeito..." Fogo de lareira é igual ao fogo do fogão de lenha.
Antigamente não havia lareiras em nossas casas. O que havia era o fogo do
fogão de lenha que era, a um tempo, fogo de lareira e fogo de cozinhar.
As pessoas da cidade, que só
conhecem a chama dos fogões a gás, ignoram a arte que está por detrás de um
fogão de lenha aceso. Se os paus grossos, os paus finos e os gravetos não
forem colocados de forma certa, o fogo não pega. Isso exige ciência. E depois
de aceso o fogo é preciso estar atento. É preciso colocar a acha suplementar,
do tamanho certo, no lugar certo. Quem acende o fogo do fogão de lenha tem de
ser também um atiçador.
O fogão de lenha nos faz voltar
"às residências de outrora, as residências abandonadas mas que são, em
nossos devaneios, fielmente habitadas" (Bachelard). Exupèry, no tempo em
que os pilotos só podiam se orientar pelos fogos dos céus e os fogos da
terra, conta de sua emoção solitária no céu escuro, ao vislumbrar, no meio da
escuridão da terra, pequenas luzes: em algum lugar o fogo estava aceso e
pessoas se aqueciam ao seu redor.
Já se disse que o homem surgiu
quando a primeira canção foi cantada. Mas eu imagino que a primeira canção
foi cantada ao redor do fogo, todos juntos se aquecendo do frio e se protegendo
contra as feras. Antes da canção, o fogo. Um fogo aceso é um sacramento de
comunhão solitária. Solitária porque a chama que crepita no fogão desperta
sonhos que são só nossos. Mas os sonhos solitários se tornam comunhão quando
se aquece e come.
Nas casas de Minas a cozinha ficava
no fim da casa. Ficava no fim não por ser menos importante mas para ser
protegida da presença de intrusos. Cozinha era intimidade. E também para
ficar mais próxima do outro lugar de sonhos, a horta-jardim. Pois os jardins
ficavam atrás. Lá estavam os manacás, o jasmim do imperador, as
jabuticabeiras, laranjeiras e hortaliças. Era fácil sair da cozinha para
colher xuxús, quiabo, abobrinhas, salsa, cebolinha, tomatinhos vermelhos,
hortelã e, nas noites frias, folhas de laranjeira para fazer chá.
Ah! Como a arquitetura seria
diferente se os arquitetos conhecessem também os mistérios da alma! Se
Niemeyer tivesse feito terapia, Brasília seria outra. Brasília é arquitetura
de arquitetos sem alma. Se eu fosse arquiteto minhas casas seriam planejadas
em torno da cozinha. Das coisas boas que encontrei nos Estados Unidos nos
tempos em que lá vivi estava o jeito de fazer as casas: a sala de estar, a
sala de jantar, os livros, a escrivaninha, o aparelho de som, o jardim, todos
integrados num enorme espaço integrado na cozinha. Todos podiam participar do
ritual de cozinhar, enquanto ouviam música e conversavam. O ato de cozinhar,
assim, era parte da convivência de família e amigos, e não apenas o ato de
comer. Eu acho que nosso costume de fazer cozinhas isoladas do resto da casa
é uma reminiscência dos tempos em que elas eram lugar de cozinheiras negras
escravas, enquanto as sinhás e sinhazinhas se dedicavam, em lugares mais
limpos, a atividades próprias de dondocas como o ponto de cruz, o frivolité,
o crivo, a pintura e a música. Se alguém me dissesse, arquiteto, que o seu
desejo era uma cozinha funcional e prática, eu imediatamente compreenderia
que nossos sonhos não combinavam, delicadamente me despediria e lhes passaria
o cartão de visitas de um arquiteto sem memórias de cozinhas de Minas.
As cozinhas de fogão de lenha não
resistiram ao fascínio do progresso. As donas de casa, em Minas, por medo de
serem consideradas pobres, dotaram suas casas de modernas cozinhas
funcionais, onde o limpíssimo e apagado fogão à gás tomou o lugar do velho
fogão de lenha. As cozinhas, agora, são extensões da sala de visitas. Mas
isto é só para enganar. A alma delas continua a morar nas cozinhas velhas,
agora transferidas para o quintal, onde a vida é como sempre foi. Lá é tão
bom, porque é como já foi.
Eu gostaria de ser muitas coisas
que não tive tempo e competência para ser. A vida é curta e as artes são
muitas. Gostaria de ser pianista, jardineiro, artista de ferro e vidro -
talvez monge. E gostaria de ter sido um cozinheiro. Babette. Tita. Meu pai
adorava cozinhar. Eu me lembro dele preparando os peixes, cuidadosamente
puxando a linha que percorre o corpo dos papa-terras, curimbas, para que não
ficassem com gosto de terra. E me lembro do seu rosto iluminado ao trazer
para a mesa o peixe assado no forno.
Faz tempo, num espaço meu, eu
gostava de reunir casais amigos uma vez por mês para cozinhar. Não os
convidava para jantar. Convidava para cozinhar. A festa começava cedo, lá
pelas seis da tarde. E todos se punham a trabalhar, descascando cebola,
cortando tomates, preparando as carnes. Dizia Guimarães Rosa: "a coisa
não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia." Comer é a
chegada. Passa rápido. Mas a travessia é longa. Era na travessia que estava o
nosso maior prazer. A gente ia cozinhando, bebericando, beliscando petiscos,
rindo, conversando. Ao final, lá pelas onze, a gente comia. Naqueles tempos o
que já tinha sido voltava a ser. A gente era feliz.
Sinto-me feliz cozinhando. Não sou
cozinheiro. Preparo pratos simples. Gosto de inventar. O que mais gosto de
fazer são as sopas. Vaca atolada, sopa de fubá, sopa de abóbora com maracujá,
sopa de beringela, sopa da mandioquinha com manga, sopa de coentro... Você já
ouviu falar em sopa de coentro? É sopa de portugueses pobres, deliciosa, com
muito azeite e pão torrado. A sopa desce quente e, chegando no estômago,
confirma...A culinária leva a gente bem próximo das feiticeiras. Como a
Babette (A festa de Babette) e a Tita (Como água para chocolate)... (Correio
Popular, Caderno C, 19/03/2000.)
|
|
|
Vatel- Um banquete para o rei
Para salvar sua província das dívidas, o príncipe Condé, resolve convidar o rei Luis XIV para um banquete, cujo o encarregado será François Vatel, o mordomo do príncipe, personagem vivido por Gerard Depardieu. O filme é dirigido por Roland Joffé e tem ainda participação dos atores Tim Roth e Uma Thurman.
François Vatel foi um célebre cozinheiro em seu tempo e lhe é atribuída a invenção do creme Chantilly. Acabou por suicidar-se, por razões que até hoje não são claras. Sua morte foi tida como uma tragédia nacional.
Abaixo o trailer do filme:
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Frango!
Ontem experimentei uma variante de uma forma tradicional que se utiliza na minha família e ficou uma delícia.
Os ingredientes são os seguintes:
Duas coxas (com a sobrecoxa ) de frango com pele.
Ingredientes para a marinada:
- Azeite extra virgem - 100 ml
- Vinagre balsâmico - 1 colher de sopa
- Shoyu -1 colher de sopa (utilizo um shoyu de origem chinesa, que não é tão salgado e mais espesso que o shoyu comum à venda nos supermercados do Brasil)
- Sálvia, alecrim e tomilho desidratados-aproximadamente uma colher de sopa de cada, ou à gosto.
- Curry do tipo madras - uma colher de chá
- Noz moscada - uma colher de chá
- Sal - uma colher de sopa, ou ao seu gosto
- Pimenta negra - uma colher de chá, ou ao seu gosto.
Cozimento:
Este procedimento é bastante simples, mas requer atenção quanto ao ponto exato da cocção. Em uma frigideira de bordas altas, ponha a carne que você deixou marinando no dia anterior. Utilize o mesmo azeite e os temperos da marinada para fritar a carne. Deixe em fogo médio por alguns minutos até dourar, vire a carne, com a ajuda de uma espátula até dourar dos dois lados. Não pode ser em fogo muito alto, pois a carne queimará do lado de fora e o interior continuará crú, tampouco em fogo muito baixo, pois a pele do frango não ficará crocante.
Para acompanhar, recomendo arroz branco ou purê de batatas.
Bom apetite!!!
domingo, 30 de outubro de 2011
Dica de cinema.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Galinhada, mas nem tanto...
Fácil de preparar, esta receita costuma agradar.
Ingredientes, para o preparo de duas porções.
- 2 coxas/sobrecoxas de frango- Partes com gordura da galinha, preferência para coxas e sobre-coxas;
- Arroz (redondo) medida para quatro pessoas
- Mais ou menos 150 ml. Espumante meio seco, ou um vinho levemente doce, malvasia ou chardonay. Preferência pelo espumante;
- Uma cebola
- Estragão, alecrim, tomilho (em média duas colheres de chá de cada) se não tiver tomilho, substitua por orégano, mas use em menor quantidade).
- Cogumelos tipo champignon, frescos e laminados;
- Azeite de oliva ( para fritar a galinha )
- Salsa, cebolinha
- Manteiga
- Uma pitada de canela em pó
- Sal e pimenta
Bom apetite!!!
Cozinha Imaginativa. Alta Gastronomia contemporânea. Parmesão.
Tendências da alta gastronomia. Aqui, novas idéias a partir do conhecido Parmesão...
http://www.youtube.com/watch?v=Sa8Ttem2ihI
Bom apetite, ou seria bons sonhos?
terça-feira, 19 de abril de 2011
Frase da semana
Roland Betsch
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Pão com manteiga e algo mais.
- Um tablete de manteiga com sal.
- Tomilho fresco (em geral se encontra nas feiras livres), para esta receita recomendo uns quatro ou cinco ramos do tempero.
domingo, 10 de abril de 2011
A festa de Babette, por Rubem Alves
Pimentões, brilhantes, lisos, vermelhos, amarelos e verdes. Ainda hei de decorar uma árvore de Natal com pimentões. Nabos brancos, redondos, outros obscenamente compridos. Lembro-me de uma crônica da querida e inspirada Hilda Hilst que escandalizou os delicados: ela ia pela feira poetizando eroticamente sobre nabos e pepinos. Escandalizou porque ela disse o que todo mundo pensa mas não tem coragem de dizer. Roxas berinjelas, cenouras amarelas, tomates redondos e vermelhos, morangas gomosas, salsinhas repicadas a tesourinha, cebolinhas, canudos ocos, bananas compridas e amarelas, caquis redondos e carnudos (sobre eles o Heládio Brito escreveu um poema tão gostoso quanto eles mesmos), mamões, úteros grávidos por dentro, laranjas alaranjadas (um gomo de laranja é um assombro, o suco guardado em milhares de garrafinhas transparentes), cocos duros e sisudos, pêssegos, perfume de jasmim do imperador, cachos de uvas, delicadas obras de arte, morangos vermelhos, frutinhas que se comem à beira do abismo... Minha caminhada me leva dos vegetais às carnes: lingüiças, costelas defumadas, carne de sol, galinhas, codornizes, bacalhau, peixes de todos os tipos, camarões, lagostas. Os vegetarianos estremecem. Compreendo, porque na alma eu também sou vegetariano. Fosse eu rei decretaria que no meu reino nenhum bicho seria morto para nosso prazer gastronômico. Mas rei não sou. Os bichos já foram mortos contra a minha vontade. Nada posso fazer para trazê-los de volta à vida. Assim, dou-lhes minha maior prova de amor: transformo-os em deleite culinário para que continuem a viver no meu corpo. De alguma maneira vivem em mim todas as coisas que comi. Sobre isso sabia muito bem o genial pintor Giuseppe Arcimboldo (1527-1593), que pintava os rostos das pessoas com os legumes, frutas e animais que se encontram nas bancas da feira. (Dê-se o prazer de ver as telas de Arcimboldo. Nas livrarias, coleção Taschen, mais ou menos quinze reais).
Meus pensamentos começam a teologar. Penso que Deus deve ter sido um artista brincalhão para inventar coisas tão incríveis para se comer. Penso mais: que ele foi gracioso. Deu-nos as coisas incompletas, cruas. Deixou-nos o prazer de inventar a culinária.
Comer é uma felicidade, se se tem fome. Todo mundo sabe disto. Até os ignorantes nenezinhos. Mas poucos são os que se dão conta de que felicidade maior que comer é cozinhar. Faz uns anos comecei a convidar alguns amigos para cozinharmos juntos, uma vez por semana. Eles chegavam lá pelas seis horas (acontecia na casa antiga onde hoje está o restaurante Dali). Cada noite um era o mestre cuca, escolhia o prato e dava as ordens. Os outros obedeciam alegremente. E aí começávamos a fazer as coisas comuns preliminares a cozinhar e comer: lavar, descascar, cortar — enquanto íamos ouvindo música, conversando, rindo, beliscando e bebericando. A comida ficava pronta lá pelas 11 da noite.
Ninguém tinha pressa. Não é por acaso que a palavra comer tenha sentido duplo. O prazer de comer, mesmo, não é muito demorado. Pode até ser muito rápido, como no McDonald's. O que é demorado são os prazeres preliminares, arrastados — quanto mais demora maior é a fome, maior a alegria no gozo final. Bom seria se cozinha e sala de comer fossem integradas — os arquitetos que cuidem disso — para que os que vão comer pudessem participar também dos prazeres do cozinhar. Sábios são os japoneses que descobriram um jeito de pôr a cozinha em cima da mesa onde se come, de modo que cozinhar e comer ficam sendo uma mesma coisa. Pois é precisamente isto que é o sukiyaki, que fica mais gostoso se se usa kimono de samurai.
Quem pensa que a comida só faz matar a fome está redondamente enganado. Comer é muito perigoso. Porque quem cozinha é parente próximo das bruxas e dos magos. Cozinhar é feitiçaria, alquimia. E comer é ser enfeitiçado. Sabia disso Babette, artista que conhecia os segredos de produzir alegria pela comida. Ela sabia que, depois de comer, as pessoas não permanecem as mesmas. Coisas mágicas acontecem. E desconfiavam disso os endurecidos moradores daquela aldeola, que tinham medo de comer do banquete que Babette lhes preparara. Achavam que ela era uma bruxa e que o banquete era um ritual de feitiçaria. No que eles estavam certos. Que era feitiçaria, era mesmo. Só que não do tipo que eles imaginavam. Achavam que Babette iria por suas almas a perder. Não iriam para o céu. De fato, a feitiçaria aconteceu: sopa de tartaruga, cailles au sarcophage, vinhos maravilhosos, o prazer amaciando os sentimentos e pensamentos, as durezas e rugas do corpo sendo alisadas pelo paladar, as máscaras caindo, os rostos endurecidos ficando bonitos pelo riso, in vino veritas... Está tudo no filme A Festa de Babette. Terminado o banquete, já na rua, eles se dão as mãos numa grande roda e cantam como crianças... Perceberam, de repente, que o céu não se encontra depois que se morre. Ele acontece em raros momentos de magia e encantamento, quando a máscara-armadura que cobre o nosso rosto cai e nos tornamos crianças de novo. Bom seria se a magia da Festa de Babette pudesse ser repetida...
O texto acima foi publicado no jornal "Correio Popular", Campinas(SP), com o qual o educador e escritor colabora
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Molho p'ra casar!
Primeiramente desculpas, pela longa ausência por aqui. Motivos de trabalho tem me impedido ultimamente, mas roubei um tempinho, e heis-me aqui.
Hoje vou passar uma receita simples, barata e que costuma fazer sucesso.
Molho pra casar
Você vai precisar de:
- uma lata de tomate pelado
- vinho tinto
- 1 colher de sopa de manteiga
- mangericão fresco (somente as folhas, previamente lavadas e secas)
- sal a gosto
Bom apetite!!!
sábado, 19 de fevereiro de 2011
Cheiros da infância
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Dica de hoje: Bar do Jacaré, Indaiatuba, SP
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Tortéi
- 1 moranga japonesa pequena
- 150 gr de queijo parmesão ralado
- 150 gr de farinha de rosca
- 1 colher de sopa tomilho
- 1colher de sopa alecrim
- 1 colher de chá pimenta do reino
- 1/2 colher de chá de noz moscada
- 1/2 colher de chá de canela
- flor de sal a gosto
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Pasta de tomate
- 2 Kg de tomates, de preferência aos que tenham muita polpa e pouca semente para aumentar o rendimento, como a variedade coração de boi;
- 3 dentes de alho;
- 2 cebolas médias;
- Temperos verdes a gosto. A mistura que uso é esta: óregano, algumas poucas folhas de sálvia, algumas folhas de alecrim e um pouco de tomilho;
- sal a gosto (segundo a nonna, um punhado por cada kilo de pasta já escorrida).
- uma pitada de pimenta branca moída
O segredo é a canela
Me lembro de uma manhã em que conversava com a nonna (minha avó) enquanto ela preparava o almoço, sobre qual era a diferença do tortéi que ela fazia em comparação com o tortéi que as outras mulheres da região faziam. Havia algo sutilmente diferente no recheio que me intrigava e não podia identificar. Além da textura ser ligeiramente diferente (o tortéi da nonna era um pouco mais seco e com um sabor mais pronunciado) havia algo no aroma e no gosto que me intrigava.
Para quem não conhece, tortéi (em dialeto vêneto), ou tortelli (em italiano), é basicamente uma massa recheada. A tradição manda que o recheio seja com abóbora, algo de tempero verde, queijo ralado, pão ralado e uma pitada de noz moscada. No caso da nonna ainda é acrescida uma generosa colher de "massa de tomate" ou "pasta de tomate", que ela própria prepara. Mais tarde postarei a receita.
Onde estava então o segredo? Me lembro que durante a conversa, a nonna esboçou um discreto sorriso, baixou o tom da voz e me disse: O segredo é a canela...Canela? Perguntei eu, um pouco surpreso. Calmamente ela me explicou. "Mistura a canela co'um pouquinho de noz moscada e cuida pra que tenha bastante queijo e pão ralado pra dar o ponto certo do recheio".
Surpreso, repetia em voz baixa: O segredo é a canela!

