sábado, 19 de fevereiro de 2011

Cheiros da infância

Schmier
Lembro-me dos dias quentes do verão da minha infância, quando o cheiro doce de schmier de figo ou de uva, impregnavam o ar e podia-se sentir o perfume desde longe. Lembro-me também, que graças ao cheiro característico, podia saber quando as outras mulheres da comunidade onde cresci, estavam fazendo schmier (Schmier é um nome alemão que se usa no RS para designar doces de frutas, seguindo  a receita trazida pelos imigrantes alemães ao estado)
O dia de fazer schmier é especial. Na minha casa começávamos cedo. Primeiro colher as frutas, depois processá-las. No caso dos figos, limpá-los, descascá-los em parte e em seguida moer. No caso da uva, desfazer o cacho e selecionar os grãos, cozinhar até desmanchar em parte e em seguida passar por uma peneira para separa sementes e eventuais impurezas. Depois acender o fogo, posicionar o tacho e começar a longa tarefa de cozinhar os ingredientes. Na minha casa, essa era tarefa da minha mãe e que eu, curioso, ficava observando.
Misturar o açúcar e mexer por horas até o ponto certo. Em determinado momento, ele aparecia. O cheiro sempre foi a minha parte predileta da schmier, sobretudo a de figo. Era o anúncio também de que breve o doce estaria pronto. Não antes da prova. Em um pratinho de porcelana, minha mãe colocava uma pequena quantidade para provar, ver se “está no ponto”. Depois de pronta, colocávamos a schmier em potes, que seriam consumidos ao longo do ano.
Ainda faltava uma etapa nesse processo. Raspar o tacho! Quando o tacho já não estava tão quente, as crianças ganhavam uma colher e podiam divertir-se.
Em breve postarei a receita.
Até breve!

Nenhum comentário:

Postar um comentário