segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Memórias de infância - Forno


Havia um dia da semana em que minha mãe dedicava-se a fazer pão e isso lhe tomava a tarde inteira. Preparar a massa, deixá-la fermentar, preparar a lenha, acender o fogo para que aquecesse o grande forno de barro e tijolos, depois dar forma aos pães, colocá-los em palhas de milho e finalmente, assá-los.
          Para as crianças esse era um dia especial. Era o dia em que se ganhava uma “panina”. Um pequeno pão, em geral em forma de pomba, ou o que a criatividade da minha inventava. Me recordo bem das pequenas pombas, com olhos de feijão, ainda quentes nas mãos e que eram devoradas em seguida. Havia uma urgência em comer, não porquê iria esfriar, mas porque se estava aguardando aquilo a semana inteira. E não há nada como pão recém saído do forno, quentinho, fumegando.
E havia tardes em que se faziam biscoitos! Biscoitos amanteigados, de polvilhos, etc. Era uma festa. Sobre uma grande mesa, onde se preparava as “massas”, várias formas contendo toda sorte de biscoitos prontos para ir ao forno quentinho e em seguida se colocavam em cestos, cobria-se com uma toalha, e deixava-se repousar.
          Também se assava batatas doces, por vezes até mesmo pequenos leitões e toda sorte de gostosuras. Cada vez que me lembro do forno, tenho uma profunda sensação de respeito. Como se ele representa-se para mim a metamorfose por que todos passamos, seja no útero de nossa mãe, seja durante a vida. Como o vinho que espera silencioso dentro da pipa e depois na garrafa. Quando criança era mágico para mim ver entrar naquele forno quente, uma porção de massa branca com dois feijões e sair de lá minha panina

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