Havia um dia da semana em que minha mãe dedicava-se a fazer
pão e isso lhe tomava a tarde inteira. Preparar a massa, deixá-la fermentar, preparar
a lenha, acender o fogo para que aquecesse o grande forno de barro e tijolos,
depois dar forma aos pães, colocá-los em palhas de milho e finalmente, assá-los.
Para as crianças esse era um dia
especial. Era o dia em que se ganhava uma “panina”. Um pequeno pão, em geral em
forma de pomba, ou o que a criatividade da minha inventava. Me recordo bem das
pequenas pombas, com olhos de feijão, ainda quentes nas mãos e que eram
devoradas em seguida. Havia uma urgência em comer, não porquê iria esfriar, mas
porque se estava aguardando aquilo a semana inteira. E não há nada como pão
recém saído do forno, quentinho, fumegando.
E havia tardes em que se faziam biscoitos! Biscoitos
amanteigados, de polvilhos, etc. Era uma festa. Sobre uma grande mesa, onde se
preparava as “massas”, várias formas contendo toda sorte de biscoitos prontos
para ir ao forno quentinho e em seguida se colocavam em cestos, cobria-se com
uma toalha, e deixava-se repousar.
Também
se assava batatas doces, por vezes até mesmo pequenos leitões e toda sorte de
gostosuras. Cada vez que me lembro do forno, tenho uma profunda sensação de
respeito. Como se ele representa-se para mim a metamorfose por que todos passamos,
seja no útero de nossa mãe, seja durante a vida. Como o vinho que espera
silencioso dentro da pipa e depois na garrafa. Quando criança era mágico para
mim ver entrar naquele forno quente, uma porção de massa branca com dois
feijões e sair de lá minha panina
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